Motorista de aplicativo morto: como prevenir violência

É gritante e revoltante a quantidade de motorista de aplicativo morto a cada ano no Brasil. Este talvez seja o país que mais mata trabalhadores realizando o seu próprio trabalho! Em Viana, na Grande Vitória, Espírito Santo, por exemplo, há pouco tempo, bandidos passaram em uma moto e atiraram em um veículo de aplicativo.

O condutor, motorista de aplicativo, levou vários tiros no rosto, no peito e na barriga e morreu ainda no local da tragédia, sem ter tempo de ser levado para socorro médico. Há indícios de que o rapaz transportava um homem que cometeu um roubo em Viana, segundo relatos de testemunhas.

Mas dentro do carro do motorista de aplicativo, a polícia achou uma arma, munição e uma touca ninja,  num compartimento escondido do veículo, embaixo do banco do motorista. A versão da polícia é de que o motorista de aplicativo ainda tentou sacar a arma para se defender, mas foi atingido antes.

Motorista de aplicativo morto: outros casos recentes

No Paraná, outro motorista de aplicativo, de 67 anos, foi encontrado depois de dias assassinado. Ele tinha saído de Amaporã com destino a Loanda, na região noroeste do Paraná, levando duas passageiras. A polícia encontrou o corpo da vítima com marcas de facadas dentro de um riacho na área rural de Loanda. O carro foi achado queimado na Estrada do Taquara.

Em outra tragédia, um motorista de aplicativo achado morto com seis disparos de arma de fogo, pode ter sido vítima de uma vingança. O suspeito é o próprio irmão dele, que teria sido uma das pessoas a espancar o motorista, mas que também acabou sendo assassinado, cerca de 20 dias depois da morte do irmão, motorista por aplicativo, que tinha 33 anos.

Conta-se que o motorista foi espancado por ambulantes no Centro de Maceió, por ter acelerado contra ambulantes. Ao procurar fugir do local, ele atingiu carrinhos de feirantes, e, por conta disso, acabou cercado por feirantes e retirado à força do carro.

Os feirantes apedrejaram o carro e o condutor, danificando o para-brisas. O motorista foi socorrido por uma equipe do Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas (CBM/AL), teve escoriações no braço esquerdo, na perna direita e um corte na cabeça. Mas, passou mal depois de ter saído da unidade hospitalar, fez uma cirurgia neurológica, mas não resistiu e faleceu.

Motorista de aplicativo morto: o que fazer para não ser assassinado

Não há uma fórmula mágica para um motorista se manter protegido no Brasil. Se existisse, todos seguiriam. A única maneira de tentar permanecer vivo é usar ao máximo a prudência em todas as viagens. Nem andar armado, como vimos, adianta alguma coisa.

Como não há dica mágica que possa livrar alguém definitivamente de algum sinistro, resta-nos compartilhar as orientações que podem fazer a diferença entre se livrar de um caso fatal e ser vítima dele:

Não fique parado em locais suspeitos

Ao esperar por clientes, utilize pontos mais populares, com boa circulação de pessoas. O motorista de aplicativo não deve jamais aguardar clientes em lugares onde não esteja familiarizado.

Só o fato do condutor utilizar muito o celular, já perde 40% da sua atenção periférica e muitas vezes pode ser pego de surpresa em locais sem muita movimentação e com muita insegurança.

Conferir veículo e reputação do motorista ou passageiro

Esse é um Be-A-Bá básico de todo usuário de aplicativo de transporte. Confira tudo o que envolve o veículo (cor, placa) e o motorista (reputação e comentários dentro da plataforma), assim como tudo o que for possível absorver sobre o passageiro. Se o aplicativo não te fornece esses recursos de verificação, desinstale-o!

Em matéria de segurança, é melhor pagar mais caro por uma corrida mais segura do que vacilar por causa de uma pechincha.

Compartilhe seu trajeto

Escolha um contato de confiança e compartilhe seu trajeto de viagem. A maioria dos aplicativos bons de transporte já fornece esse recurso.

A ferramenta permite que o contato de confiança receba um link e possa rastrear o amigo, em caso de sumiço.

Brindes precisam ser evitados

Por conta da alta dos combustíveis e de demais produtos, a crise tem levado motoristas de aplicativo a parar de oferecer “brindes”, tais como água, bala ou algo do tipo.

É bom ter cuidado com essas oferendas no percurso. Você não sabe a procedência desses produtos. Se a água ou a bala estiver “batizada” com um entorpecente ou sonífero, por exemplo?

Cheque o GPS

Não se deixe confiar pelo aplicativo do motorista, ao longo de uma viagem. Faça a conferência pelo seu GPS, do seu celular. Conferir se o motorista não fugiu da rota é uma tarefa crucial.

Além disso, confira se o trajeto foi concluído no aplicativo no momento certo. As etapas que envolvem um percurso são facilmente verificáveis. Outra coisa, se no GPS você tiver uma certa malícia e perceber que o local onde precisa buscar o cliente é de risco, cancele a viagem. Melhor perder uma viagem do que perder a vida.

Se você anda armado achando que vai se defender, cuidado!

Essa questão de andar armado extrapola a questão legal, do porte da arma. Conforme o caso que narramos no começo deste artigo, há motoristas de aplicativo que guardam dentro do carro algum tipo de arma de fogo.

Nesses casos, o cuidado precisa ser redobrado. As estatísticas demonstram que andar armado não compensa:  muitas vezes uma pessoa pensa que está promovendo sua defesa pessoal, mas, na verdade, está colocando sua vida em risco. Coloca também a vida dos passageiros em risco. Conclusão: não vale a pena.

Existem mobilizações no cenário político que buscam facilitar o porte de arma para motorista de aplicativo. Por enquanto, o assunto não passa de uma “ideia legislativa”. Veja, por exemplo, este link do Senado Federal.

Alberto Vicente (DRT-5272-BA) é formado em Letras (UEFS) e desde 1997 vem acumulando experiência na redação de textos para blogs e sites.

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