Vale a pena trabalhar com Maxim (Taxsee Driver) no seu carro?

Este artigo do Clube INdriver foi motivado por testes que fizemos rodando exclusivamente com o aplicativo Maxim (Taxsee Driver) por uma manhã inteira (das 08 às 12), em um dia de sábado, numa cidade metropolitana da Bahia, com mais de 650 mil habitantes (Feira de Santana). Nosso propósito foi responder à pergunta “vale a pena trabalhar com Maxim?“.

A resposta parece meio óbvia, em princípio: para saber se vale a pena rodar com o app da Maxim, é preciso considerar as variáveis, que podem se esconder nos seguintes fatores (mas há outros): motor do carro, tipo de combustível utilizado, movimento do dia, horário trabalhado, preço do combustível… E, como nosso objetivo foi sair da “teoria das variáveis” e ir para a prática, vamos lá.

Vale a pena trabalhar com Maxim?

Para fazer o teste, utilizamos um carro de motor 1.6, modelo Grand Siena 4 portas, da Fiat, com gasolina, no dia do teste, custando R$ 6,79 na cidade de Feira de Santana, Bahia. O consumo médio desse carro, medido no computador de bordo, é de 9 km por litro. Como o aplicativo Taxsee Driver não pode ser utilizado no modo “descarregado” (sem saldo na conta), ele foi operado tendo um saldo inicial de recarga no valor de R$ 11,85.

Começamos o dia com o tanque quase na reserva e, após ligar o aplicativo Taxsee Driver, às 08h, mesmo com o carro nessa condição, aceitamos a primeira viagem, que custou R$ 7,40, a pouco mais de 2km do nosso local de partida.

Terminada essa primeira viagem, com os R$ 7,40 em nossa conta (foi pagamento via Pix), completamos com recursos próprios o valor de R$ 25,00 e abastecemos essa quantia de gasolina. Depois de sair do posto, aceitamos um pedido próximo, mas, ao chegar no local, percebemos que o cliente cancelou a viagem. Ou seja, primeiro prejuízo do dia, e isso se repetiu por mais uma vez, ao longo das quatro horas de teste.

Mas, mesmo assim, com esses R$ 25,00 em combustível, fizemos outras seis viagens, cada uma nos seguintes valores: uma de R$ 6,90, duas de R$ 7,00, uma de R$ 7,80, uma de R$ 9,00 e uma de R$ 6,70. Elas foram o suficiente para esvaziar o tanque, que ficou com nível mais baixo do que o nível inicial (ao sairmos da garagem). Paramos em outro posto, para abastecer novamente, dessa vez, colocando R$ 30,00 de gasolina.

Com esses 30,00, fizemos apenas mais uma viagem, no valor de R$ 12,00. Depois disso, resolvemos parar e colocar o carro na garagem. A gasolina restante não deu para muita coisa, pois ainda tínhamos que fazer o percurso até o ponto de partida. Sobrou alguma coisa no tanque, mas não muito.

Tivemos lucro no Maxim?

Ao final do nosso plantão de teste, com o saldo de recarga reduzido de R$ 11,85 para R$ 4,50 (notificações de que precisávamos recarregar eram constantes), conseguimos arrecadar o total de R$ 63,80. Mas, façamos as contas:

  • Gastamos R$ 25,00 de gasolina no primeiro abastecimento;
  • Tivemos que colocar mais R$ 30,00 no segundo abastecimento;
  • Sobrou exatos R$ 8,80.

E tem mais uma detalhe: como o aplicativo não parava de nos alertar de que precisávamos fazer uma nova recarga de créditos, algo que não fizemos, o lucro seria negativo. Isto porque a recarga mínima do aplicativo era de R$ 20,00. Isto significa que, se decidíssemos recarregar o aplicativo, para podermos usar o app sem tantos avisos chatos de recarga, terminaríamos a manhã com um lucro negativo de R$ 11,20. Em bom português, isto seria o que a gente chama de “pagar para trabalhar“…

O nosso lucro real foi de R$ 8,00 nas condições que descrevemos. Saímos com o tanque na reserva, abastecemos R$ 25 para começar a trabalhar e, ao final da jornada, abastecemos mais R$ 30 para não deixar o carro ficar abaixo da reserva. Essa “sobra” de R$ 8,80 é o que poderíamos chamar de lucro.

Claro, com os R$ 30 do segundo abastecimento poderíamos fazer mais algumas corridas. Mas o “círculo vicioso” da baixa margem de lucro só se repetiria: gastaríamos esses R$ 30,00, arrecadaríamos outro valor, não muito alto, e teríamos novamente que reabastecer o carro.

A conclusão do artigo é esta: se você pensa em rodar como motorista parceiro Maxim ou de outro aplicativo, utilizando o carro relativamente “gastador” como o Grand Siena 1.6, que faz 9km por litro de gasolina, é quase certo que não valerá a pena trabalhar com Maxim.

Cada motorista precisa encontrar seu ponto de equilíbrio ao trabalhar, se é que isso é possível, em tempos tão difíceis como o nosso (começo de 2022, com cenário de guerra e combustíveis com preços elevados). Nesse contexto, alternativas para tentar ganhar algum dinheiro poderiam ser, por exemplo:

  • optar por um carro 1.0 que possua uma melhor economia de combustível, que proporcione um consumo médio bem mais alto do que o G Siena;
  • optar por um carro movido a GNV;
  • diversificar os aplicativos, e não ficar apenas com um, caso você possua EAR na CNH (por isso, não adesive o seu carro, isto é, não seja parceiro exclusivo Maxim);
  • não alugue um carro para rodar com aplicativos. Se não for seu, provavelmente, não compensará.

Crítica do leitor ao teste

Nosso leitor do blog, chamado de Jorge, que roda com a Maxim, nos enviou um super depoimento, inclusive criticando nossa metodologia de teste do aplicativo Maxim. Para quem não tem tempo de ler comentários, pela importância que o depoimento dele possui, transcrevemos logo abaixo, com pouquíssima edição:

Esse teste não serve de base pra quase nada! Trabalhar de 8h até 12h é “pouco tempo”, porque está fora do horário de pico, parando para abastecer e usando o app de maneira errada?

Ter conseguido algum lucro foi pura sorte. Para fazer essa avaliação, teriam que trabalhar no mínimo 1 dia todo ou até 2 dias. O motorista geralmente trabalha 8 horas, começa mais cedo pra pegar o pessoal que sai de casa as 5h, 6h ou 7h da manhã, que é o horário que o trabalhador vai pro serviço. 8h da manhã e maioria já chegou ao seu destino.

Tem que sair de casa preparado, com tanque e app carregados. Nunca para ao meio-dia! Almoça antes ou depois do segundo horário de pico, que é de 11h até 13h. Pode até começar as 8h da manhã, mas parar entre 11h e 13h é perder as melhores corridas.

Saber trabalhar com o app e obedecer a demanda é essencial. Dá para fazer mais de 30 corridas tranquilo, dirigindo 8hs por dia, sem contar que às vezes compensa trabalhar até meia noite, começando as 10h e almoçando às 2h da tarde por exemplo.

Cada motorista vai desenvolvendo seu ‘comportamento’ e buscando melhorar seus resultados ao longo da semana, ou do mês, e tirando proveito de feriados, horários, locais propícios etc.

Se vc não consegue lucrar com Maxim, obviamente por não ter trabalhado de maneira correta, imagina tentar trabalhar com os 3 apps ao mesmo tempo? Capaz de não conseguir fazer 2 corridas em cada app nesse mesmo horário do seu teste.

Outra coisa: esse consumo do 1.6 Fiat está muito bom. Essa ideia de que carro 1.0 é mais econômico na cidade “morre” quando se sobe muita ladeira, quando se transporta mais de 1 pessoa e ou bagagem volumosa. Isso sem citar o ar condicionado, que faz o carro 1.0 se comportar como um 1.6.

Motorista de app, infelizmente, tem que manter um ritmo um pouco mais forte, que a média do trânsito. Isso, muitas vezes, transforma o carro “mil” em um vilão.

Alberto Vicente (DRT-5272-BA) é formado em Letras (UEFS) e desde 1997 vem acumulando experiência na redação de textos para blogs e sites.

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    2 thoughts on “Vale a pena trabalhar com Maxim (Taxsee Driver) no seu carro?

    • 27/02/2023 em 4:02 am
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      Esse teste não serve de base pra quase nada! Trabalhar de 8h até 12h, “pouco tempo” “justamente fora do horário de pico” parando para abastecer e usando o app de maneira errada? Ter conseguido algum lucro foi pura sorte. Para fazer essa avaliação, teriam que trabalhar no mínimo 1 dia todo ou até 2 dias. O motorista geralmente trabalha 8 horas, começa mais cedo pra pegar o pessoal que sai de casa as 5h, 6h ou 7h da manhã, que é o horário que o trabalhador vai pro serviço. 8h da manhã e maioria já chegou ao seu destino. Tem que sair de casa preparado, com tanque e app carregados. Nunca para ao meio-dia! Almoça antes ou depois do segundo horário de pico, que é de 11h até 13h. Pode até começar as 8h da manhã, mas parar entre 11h e 13h é perder as melhores corridas. Saber trabalhar com o app e obedecer a demanda é essencial, da pra fazer mais de 30 corridas tranquilo, dirigindo 8hs por dia, fora que às vezes compensa trabalhar até meia noite, começando as 10h e almoçando às 2h da tarde por exemplo. Cada motorista vai desenvolvendo seu “comportamento” e buscando melhorar seus resultados ao longo da semana, ou do mês, e tirando proveito de feriados, horários, locais propícios etc. Se vc não consegue lucrar com Maxim, obviamente por não ter trabalhado de maneira correta, imagina tentar trabalhar com os 3 apps ao mesmo tempo? Capaz de não conseguir fazer 2 corridas em cada app. nesse mesmo horário do seu teste. Outra coisa, esse consumo do 1.6 Fiat está muito bom. Essa idéia que carro 1.0 é mais econômico na cidade, “morre” quando vc sobe muita ladeira, quando vc trasporta mais de 1 pessoa e ou bagagem volumosa, pra não citar o ar condicionado, que faz o carro 1.0 se comportar como um 0.6 rsrs. Motorista de app, infelizmente tem que manter um ritmo um pouco mais forte, que a média do trânsito, o que muitas vezes transforma o carro “mil” em vilão.

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