Mototaxisistas e aplicativos disputam pela mobilidade em 2026
Conflitos entre mototaxisistas tradicionais e condutores por aplicativos de transporte têm se intensificado em cidades de médio e pequeno porte do Brasil. Isso tem revelado um aspecto pouco explorado do debate sobre mobilidade urbana.
Longe das capitais, a disputa por espaço e passageiros evidencia a resistência de modelos antigos diante da chegada de soluções tecnológicas já consolidadas em grandes centros.
Em muitos municípios do interior, o transporte público é limitado, ineficiente ou inexistente em determinados bairros e horários.
Esse cenário permitiu que serviços antigos dominassem a mobilidade local por décadas. A entrada dos aplicativos rompe essa lógica, oferecendo previsibilidade, tecnologia, transparência e mais opções para a população.
Situação evidenciada pela Maxim
O aplicativo de transporte Maxim avalia que a oposição aos aplicativos não está relacionada à qualidade do serviço, mas à preservação de estruturas antigas de mercado.
Em diversas cidades, grupos de mototaxistas pressionam administrações municipais a tentar barrar a atuação das plataformas por meio de leis municipais inconstitucionais ou exigências sem respaldo legal.
Quando o poder público cede a esse tipo de pressão, opta por manter a população presa a um modelo antigo, em vez de permitir o avanço da mobilidade urbana
Está afirmação é de Leonardo Medeiros, gerente de desenvolvimento da Maxim no Brasil.
Preços elevados e falta de concorrência
Outro ponto recorrente nas cidades do interior é o preço. Moradores relatam cobranças elevadas e arbitrárias praticadas por serviços de mototáxi, especialmente em trajetos curtos ou horários de maior demanda.
Para a Maxim, esse cenário é resultado direto da ausência de concorrência, enquanto os aplicativos oferecem tarifas mais previsíveis e critérios claros de precificação.
Intimidação, vandalismo e violência
A resistência aos aplicativos já extrapolou o debate econômico e jurídico em alguns municípios.
A Maxim relata episódios de intimidação, vandalismo e agressões envolvendo grupos de mototaxistas em cidades como Araguaína (TO), Rio Branco (AC), Barra do Garças (MT) e nas paraenses Santarém e Bragança.
Em Bragança, por exemplo, houve registros de vandalismo contra estruturas da empresa e materiais de divulgação, como outdoors.
Já em Barra do Garças, um motorista parceiro foi alvo de uma emboscada e sofreu constrangimento público, sendo obrigado a retirar o uniforme da plataforma, em um episódio que reforçou a escalada de tensão entre os modelos de transporte.
Judiciário em ação

Ao longo dos mais de quatro anos de operação da Maxim no país, a empresa precisou recorrer judicialmente em vários municípios pelo simples direito de operar. Muitas vezes, por pressão de determinados grupos ou lobby dos mototaxistas, as prefeituras locais sancionam leis inconstitucionais, a fim de limitar a operação do aplicativo.
Em todo o país, a Justiça já concedeu liminares e sentenças definitivas favoráveis à Maxim, reconhecendo como ilegais exigências impostas pelas prefeituras.
As decisões reforçam o entendimento de que municípios não podem criar barreiras administrativas ou legais que contrariem a legislação federal. Para Medeiros,
A Justiça tem sido clara ao afirmar que impedir aplicativos é ilegal. O que não se sustenta juridicamente acaba sendo substituído por tentativas de intimidação.
Para a empresa, os conflitos mostram que muitas cidades do interior ainda enfrentam uma escolha decisiva: modernizar a mobilidade urbana ou permanecer presas a modelos ultrapassados. O gerente conclui:
Mobilidade é um serviço essencial. Apostar em tecnologia, concorrência e preços justos é escolher progresso. Resistir a isso é manter a população no atraso.

