Crise nos aplicativos de transporte: vale a pena de 2021 até hoje?

Passar o dia nos apps de transporte, mesmo em meio à crise nos aplicativos, com seu carro ou sua moto, muitas vezes alugado/a, à espera de passageiros. Ter que pagar as taxas das administradoras de aplicativos. Ter que gastar com dados móveis. E, principalmente, ter que pagar caro pelos combustíveis.

Essa tem sido a rotina de trabalhadores de transporte por aplicativos de todo o Brasil. Mas será que tem valido a pena em 2021, quando eclodiu a pandemia?

Com pelo menos 10 anos de existência no Brasil, os aplicativos de transporte – que muitos chamam apenas de “uber” – vieram para revolucionar o transporte de passageiros e objetos. De um ano para cá, no entanto, a revolução está sendo frustrada.

A grande insatisfação de quem está envolvido com o serviço é ocasionada principalmente pela alta dos preços dos combustíveis. Nas grandes cidades, tanto passageiros quanto motoristas reclamam. Com isso, o volume de cancelamentos de viagens só cresce.

Crise nos aplicativos: cancelamentos

Não são apenas os cancelamentos que estão frequentes. O que está visível em 2021 é o alto nível de espera dos clientes por corridas solicitadas. Até as próprias empresas demonstram insatisfação com as condições econômicas do país, pois perdem receita.

Citemos como exemplo as duas das mais conceituadas empresas do setor, Uber e 99. Elas perdem muito dinheiro diante da crise pela qual passa o país.

Afinal de contas, imagine um motociclista ou motorista que está rodando com veículo alugado? Além dessa despesa fixa, ele precisa encarar todos os dias os postos de combustíveis, que não dão colher de chá para ninguém! Na ponta de cima, portanto, as empresas sentem o impacto em seus capitais.

Crise nos aplicativos: falta de segurança nas vias públicas

É tanta violência na cidade

Brother é tanta criminalidade (..)

As pessoas se trancam em suas casas, 

Pois não há segurança nas vias públicas

E nem mesmo a polícia pode impedir…

Esse trecho acima é de uma letra do cantor de reggae baiano, Edson Gomes. Composta numa época em que sequer se pensava que surgiriam os aplicativos de transporte, a canção não tem uma palavra sequer que não seja atual.

Os motoristas de aplicativos conhecem de perto a insegurança nas vias públicas, ao ponto de todos os dias pedirem a Deus proteção para trabalhar.

Assim, recusar viagens para regiões suspeitas e perigosas e rodar menos à noite são os dois recursos fundamentais que os motoristas têm para se defender, pelo menos um pouco.

Aliado a isso, há aquele velho dilema: muitas vezes o trajeto da viagem é até curto, mas a distância do motorista até o ponto de partida simplesmente inviabiliza qualquer lucro que seja!

Cada vez mais, para evitar desperdício de combustível, os motoristas estão optando por passageiros localizados em ruas mais próximas de onde eles estejam.

Crise nos aplicativos: tarifas e recebimentos líquidos insatisfatórios

Fora tudo isso que nós relatamos acima, há a insensatez das próprias empresas. Elas não abrem mão das taxas que cobram por oferecer a comodidade de seus serviços.

O congelamento das tarifas dos apps em tempo de crise, como a que estamos vivenciando no Brasil, simplesmente torna a relação empresa – motorista uma afronta ao bom senso.

O valor efetivamente devido ao motorista, no frigir dos ovos, é super insatisfatório. Em geral, as empresas fazem os cálculos levando em consideração variáveis como:

  • quilometragem percorrida
  • tempo do trajeto
  • categoria do veículo

Do lado do motorista, as variáveis são:

  • combustível
  • manutenção do veículo
  • aluguel de veículo, quando é o caso
  • taxa dos aplicativos

Tudo o que sobra do que ele ganha, ou seja, a sua receita líquida, não está dando para cobrir sequer as suas despesas inadiáveis, como combustível e aluguel.

O resultado dessa matemática tortuosa é um só: alto índice de desistência de trabalhar com aplicativos de transporte. Em algumas capitais brasileiras, cerca de 1/4 dos motoristas já “saíram fora do barco”. Abandonaram o “titanic” antes do “afundamento”…

Como se não bastasse, as empresas, na tentativa de atrair novamente os clientes, criam estratégias de barateamento ainda mais danosas aos motoristas.

Ou você acha que serviços como “Uber Promo” e “99Poupa” vieram para remunerar melhor o condutor? É justamente o contrário.

Crise nos aplicativos: previsão não é de melhora

Diante desse cenário de crise nos aplicativos, engana-se quem pensa que a situação vai melhorar para ambos os lados (clientes e motoristas). Até o final de 2021 e começo de 2022 não se vislumbra um cenário melhor.

Do lado do cliente, se há mais motoristas desistindo de trabalhar, significa que a procura será maior do que a oferta.

Se a procura for maior do que a oferta de veículos, os preços das viagens tendem a aumentar. Faça um teste e tente pedir um carro num horário de pico de uma grande cidade…

Do lado do motorista que resistir e não abandonar o ofício, isso pode representar uma alternativa de ganho a mais. Mas, pensando por outro lado, acarretará mais estresse, mais necessidade de trabalhar para arcar com os compromissos etc…

No entanto, essa desistência volumosa de trabalhadores pode ser apenas temporária. Dependendo do preço do petróleo e do aquecimento geral da economia, fenômenos esperados para 2022, pode acontecer desse mercado voltar aos seus melhores dias…

Alberto Vicente (DRT-5272-BA) é formado em Letras (UEFS) e desde 1997 vem acumulando experiência na redação de textos para blogs e sites.

    tem 187 posts e contando. Ver todos os posts de

    One thought on “Crise nos aplicativos de transporte: vale a pena de 2021 até hoje?

    • 14/02/2022 em 7:09 pm
      Permalink

      Eu desisti de trabalhar com quaisquer aplicativos

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